top of page

Resultados da busca

Resultados encontrados para ""

  • Por que os traços mármore (marble) e perda de vermelho (red loss) inviabilizam linhagens em bettas?

    Se você é criador, certamente este artigo será muito útil para seus trabalhos genéticos com os bettas. Vamos a um fato: depois que o criador estudou, praticou e já entende o manejo reprodutivo, é natural que desenvolva o gosto de obter bettas belos, com fenótipo estável e replicável. No entanto, há traços genéticos que inviabilizam isto. Dois, especificamente: o traço mármore (marble) e perda de vermelho (red loss). Estes traços atuam no fenótipo mudando as cores com que interagem, suprimindo-as ou dando novas cores a elas. É um processo complexo, mas vamos nos esforçar para que você saia da leitura deste artigo compreendendo bem este assunto. Funciona da seguinte maneira: Traço marble – atua na camada de cores iridescentes (camada 1) e na camada de cor preta (camada 2); Traço red loss – atua na camada de cor vermelha (camada 3) e na camada e cor amarela (camada 4); Características: Atuação do traço mármore e red loss no fenótipo: a modificação da aparência do betta Supressão de cores (eliminação de cores) até o betta se tornar transparente (o chamado celophanne); Ganho de cores, onde o betta ganha cores frente ao fenótipo inicial; Alteração nas cores e arranjo de cores: o betta passa a ter outra aparência, tornando-se de bicolor para sólido, de sólido para multicolorido, de preto para opaco, e assim por diante, por exemplo; Camadas teóricas de atuação dos traços mármore e red loss: Nota: a cor amarelo tradicional não é afetada pela atuação do traço red loss. Cronologia e período de atuação Ambos os genes podem ou não atuar durante a vida do betta. Ou seja, você tem um betta de arranjo e cores quaisquer, e ele se mantém com a mesma aparência até o final de sua vida. No entanto, sua ninhada apresenta o traço mármore ativado desde o nascimento dos filhotes. Isto é, o pai tinha um fenótipo “estável”, mas sua prole revela que ele possuía um, outro ou ambos os genes em estudo neste artigo em seu DNA. Veja as imagens abaixo: Exemplar Black Copper sem traço mármore, como desejado Exemplar Black Copper com traço mármore atuando (não desejado) Considere que o exemplar Black Copper é o genitor (pai) do exemplar de baixo. O betta de baixo (filho) tem a marmorização atuando em seu fenótipo, como podemos ver na foto. Isto não é desejado se você está trabalhando com linhagens. Linhagens de bettas não apresentam alteração no fenótipo do longo das gerações, ou seja, são estáveis. Além disso, são replicáveis. Os traços mármore e red loss são dominantes. Ou seja, MbMb e Mbmb correspondem a bettas com o gene mármore no DNA, e RlRl e Rlrl correspondem, por sua vez, a bettas com o gene red loss em seu DNA. Exemplo de atuação do traço mármore Pode ser que durante a vida dos pais o traço mármore e/ou red loss não atue, mas se manifestará em ninhadas subsequentes. Releia a frase anterior, pois ela mostra o quão estes genes são nefastos para um trabalho genético. Veja o exemplo abaixo, onde fazemos a análise de um betta com presença de iridóforos (camada 1) e melanóforos (camada 2) sofrendo essa mutação ao longo de sua vida. Estágio 1: Black Dragon Estágio 2: Black Dragon já apresentando falhas no arranjo de cores Estágio 3: O comercialmente nomeado “Black Samurai” Estágio 4: O comercialmente nomeado “Black Mamba” Estágio 5: Sem nome comercial que conheçamos. Chamaríamos de Pinguim? Estágio 6: Super Black Estágio 7: Betta com fenótipo perdendo a pigmentação preta. Desconhecemos um nome comercial Estágio 8: O comercialmente nomeado “Black Fancy” Estágio 9: Cellophane Veja que a beleza destes bettas ao longo da vida é temporária. Ou seja, a cada novo ciclo de atuação, o fenótipo passa por mudança em suas cores e/ou arranjo de cores. Mas o que isso importa? Exemplos: Pode ser que você selecione um betta de seu criatório para uma exposição, e no dia da exposição, ele tenha outras cores e arranjo de cores. Isto é desejado? Somos da opinião que não. Suponha ainda que você está desenvolvimento uma linda linhagem de vermelhos, azuis ou amarelos. Seria a instabilidade desejada, alterando as cores e seu arranjo de cores a partir de determinado cruzamento? Somos da opinião que não. Ambos os traços são sinal de instabilidade no fenótipo. Assim, nós o Betta Project os nomeamos Multicoloridos Instáveis, visto que não possuem estabilidade de cores ou no arranjo de cores. Estabilidade não é sinônimo de replicabilidade Você sabia que um fenótipo estável, sem mármore ou red loss no DNA do betta, nem sempre é replicável? Basicamente isto ocorre em certas vezes com bicolores e na massiva população de multicoloridos comuns. Quer saber mais sobre o que são bicolores, sólidos e outros? Faça download de nosso ebook. Há uma classificação chamada de multicoloridos comuns no ebook que você poderá baixar. Esta categoria indica que o betta possui mais de uma cor e não se encaixa nas outras categorias. Cabe ressaltar que bettas multicoloridos comuns (sem os traços mármore/red loss e sem padrão definido) são por vezes muito bonitos. Possuem uma harmonia de cores sem igual – são visualmente atrativos - mas não são replicáveis. Nos nove estágios dados como exemplo (as imagens acima indicadas, cada uma apresentando um estágio do processo de marmorização), fizemos a análise sobre o pigmento preto e opacidade, porém há bettas que possuem também o traço perda de vermelho adicionalmente, ou somente ele em seu DNA, atuando ou não. Neste caso, as cores das camadas 3 e 4 seriam afetadas. Ainda, um betta com marmorização e perda de vermelho concomitantes presentes no DNA e atuando no mesmo período, apresentaria um fenótipo também aleatório, alterando suas cores e arranjo de cores sistematicamente. Veja alguns exemplos: Estes bettas certamente possuem o gene mármore e red loss atuando. Mas como sabemos disso? Pois possuem falhas nas cores, descontinuidade. Veja no primeiro betta que há regiões com descontinuidade nas cores (não há opacidade em todo o corpo ou nadadeiras ou corpo e nadadeiras), possui falhas e não lembra um butterfly, inclusive. Na segunda foto há aleatoriedade de cores e no arranjo de cores, pois regiões estão falhadas, com cores distintas. Veja, por exemplo, que o vermelho está ocorrendo em múltiplas regiões, falhado, de maneira adjacente à cor amarela. Isto é indicativo da atuação do gene red loss, por exemplo. O terceiro betta possivelmente teria o corpo azul celeste escuro (dark teal blue), porém a marmorização somente agiu na iridescência teal blue, praticamente não atuando sobre a opacidade, que continuou cobrindo todo o corpo. Isso mostra a maneira imprevisível da ação destes genes (marble e red loss, que atuam com estas características, mas em camadas diferentes!). Curso sobre a Genética do Betta Já pensou em estudar a genética do betta com fins práticos a fundo? Em nosso Curso sobre a Genética do Betta apresentamos e explicamos estes traços detalhadamente, esmiuçando e exemplificando ainda mais suas características. Conheça! Conclusão Ambos os traços (marble e red loss) causam instabilidade na beleza estética do betta, descaracterizando todo um trabalho realizado, podendo ou não alterar suas cores durante a vida do betta e/ou surgindo em ninhadas subsequentes. São verdadeiros complicadores para o desenvolvimento de linhagens. Temos um artigo que trata do termo “Bettafilia”, onde indicamos a necessidade dos bettas serem amados e criados de maneira organizada e padronizada como cães, na cinofilia. No caso dos bettas, há muito ainda que deve ser difundido em termos de informação e conhecimento, mundialmente, para que um nível melhor do plantel de bettas possa ser atingido. Conheça o artigo “Bettafilia”: amor e carinho pelos bettas? Nosso maior desejo com os bettas, associando à cinofilia. Ainda, temos conteúdo em vídeo abordando o assunto dos multicoloridos instáveis. Veja abaixo. Lembre-se, portanto, que os genes mármore e red loss, quando presentes no DNA do betta, denotam, essencialmente, instabilidade nas cores e no arranjo de cores, podendo ou não se manifestar no fenótipo durante a vida do betta. São, portanto, nefastas características que devemos sempre eliminar de nossas linhagens. Boa sorte com seus bettas! Referências: [1] Arquivo interno Betta Project. [2] Imagens da Internet.

  • “Bettafilia”: amor e carinho pelos bettas? Nosso maior desejo com os bettas, associando à cinofilia

    “Bettafilia” seria um termo aplicado que atualmente não é praticado. Não estaria errado se analisarmos em termos de criação de animais, especificamente de nossos amados bettas. Como abordamos em nosso artigo “Estratégia para Desenvolvimento de Bettas com Genética Superior: o desafio dos criadores” em nosso site, há diferentes etapas que o criador de betta passará caso continue no hobby até seu cume, da mesma maneira que ocorre com cavalos, cães, gado, porcos, canários e tantos outros. Em nosso artigo “estratégia para desenvolvimento de bettas com genética superior” destacamos os diferentes estágios da jornada do criador de animais, especialmente bettas, direcionando o estudo e conhecimento para melhoria genética do plantel de bettas (regional, nacional, mundial). Analogamente à cinofilia, não há atualmente no mundo dos bettas os mesmos cuidados como os animais citados. Você concorda? Veja o quadro abaixo: No caso dos cães, cavalos, gado, porcos, aves e tantos outros, há raças bem definidas e consensuadas. No mundo dos bettas, isto não ocorre. E, como agravante, peixes sem qualidade genética estão recebendo nomes comerciais para aumentar sua participação de mercado. Não somos contra estes animais, de maneira alguma. Assim como há os cães sem raça definida, há os bettas sem raça ou linhagem. Devem ser cuidados com muito amor e carinho pelo seu entusiasta, mas não recomendamos sua reprodução por questões óbvias: a perda da qualidade genética na população mundial de bettas. Logicamente há criadores que prezam por este cuidado, nomes, designações, classificação. No entanto, há também o contrário, infelizmente. Como se percebe, há muitas lacunas no mundo dos bettas. Será que almejar perseguir padrões de cores e formatos bem definidos no mundo dos bettas seria exagero? Somos da opinião que não. Bastaria estudo e conhecimento na seleção de matrizes, resultando na prática da criação seletiva. Nosso propósito com o Betta Project – A DNA Experience – é gerar congruência, de maneira a manter e reproduzir bettas de maior qualidade, associando genética e estética, além de certo grau de temperamento nas ninhadas. Os materiais disponíveis sobre este assunto são muito escassos, rasos, apresentando conceitos da genética do betta da década 1960 e há muita informação incongruente na web, sem embasamento prático, desligado da realidade. Dr. Gene Lucas foi pioneiro no estudo da genética do betta. Foi brilhante! Data de 1960. Porém, a genética do betta mudou em certos aspectos nestes 63 anos (hoje, 2023), com a mistura que se tem feito no cruzamento de bettas. Nosso maior desejo é ter bettas categorizados com consistência de maneira idealmente unânime, criadores estudando e aprofundando seus conhecimentos visando bettas de alto padrão, juntamente com materiais que suportem estas premissas. Desde 2010 (antes mesmo da publicação do site) iniciamos nesta jornada. Temos hoje os seguintes materiais já publicados que podem suportar esta ideia: Curso sobre a Genética do Betta Nossa proposta para classificação de bettas Análise das linhagens e novas linhagens que surgem ao longo do tempo (sempre em atualização) Curso sobre manejo reprodutivo Lógica e interfaces de uma plataforma mundial de pesquisa e cadastro de bettas Vídeos instrutivos divulgados em mídias sociais (Youtube e redes sociais atualmente usadas) e o contínuo desenvolvimento de artigos que suportem esta ideia. Sabemos que iniciativas nesse sentido estão surgindo, sob nova roupagem, didática, materiais adjacentes, e assim por diante. Isto é muito positivo, pois a didática sempre deve ser aprimorada, novos conceitos aplicados, novas linhagens desenvolvidas, novos criadores surgindo e outros saindo, e assim é o hobby. Neste sentido, a cinofilia criou caminhos retos e diretos para que o mundo dos cães fosse orientado. Com os bettas poderíamos fazer o mesmo? Somos da opinião que sim! Desejamos sucesso com seus bettas!

  • Dimensionamento de estufas de bettas com controle genético

    Dimensionar estufas de peixes ornamentais, especialmente de bettas, requer planejamento e visão a médio e longo prazos. Isto porque o número de peixes tende a aumentar muito, uma vez que a quantidade de alevinos que sobrevivem a cada ninhada aumenta de acordo com o manejo do criador e sua experiência. Via de regra, o criador inicia com um casal de bettas e possui um aquário para o acasalamento e outro para o crescimento dos alevinos. Além disso, possui acomodações que são utilizadas para as matrizes quando separadas. Também poderá usar aquários ou caixas plásticas de tamanhos diferentes, o que dificulta a padronização e melhor utilização do espaço disponível. Quando se dimensiona uma estufa de criação de peixes, deve-se ter claro o objetivo da estufa quanto ao tipo de criação: criação sem controle genético das linhagens ou criação com controle genético certificado das linhagens. A criação sem controle genético das linhagens reduz drasticamente o número de acomodações para os peixes (aquários ou caixas plásticas); alevinos de ninhadas diferentes são acomodados juntos, o que resulta na perda de lastro de seus ascendentes (ou matrizes). Ou seja, os alevinos são acomodados de acordo com seu tamanho, todos juntos. Por outro lado, o dimensionamento de estufas de bettas com controle genético certificado requer mais recursos, tanto em espaço como em investimento e esforços para a realização do controle. Conceitos básicos Antes de iniciarmos o detalhamento dos procedimentos e premissas para o dimensionamento de estufas de bettas com controle genético, que é o propósito deste artigo, é importante a apresentação de conceitos que serão usados neste trabalho, os quais serão adaptados e simplificados para o propósito deste artigo, de maneira que mesmo iniciantes no mundo dos bettas possam compreender. Observação: é possível que numa primeira leitura o texto pareça pesado, com muita informação – principalmente para iniciantes. É importante que você releia, neste caso, este artigo para sua total compreensão. Temos consciência desta dificuldade. Entretanto, é o que se apresenta. Ainda, gostaríamos de sugerir que você imprima este artigo e o tenha para estudo e releitura posterior. Faça anotações complementares para seu maior entendimento. Só assim o sucesso terá maior chance de ser atingido. Vamos lá! F1, F2 e F3: corresponde à geração de bettas em foco ou análise, a partir dos pais; Consanguinidade: parentesco entre os que descendem de um mesmo pai ou mãe; Inbreeding: corresponde ao cruzamento de bettas com alto grau de parentesco, resultando numa consanguinidade mais intensa. Line breeding ou cruzamento em linha: consiste no cruzamento de bettas com baixo grau de parentesco. É um meio-termo entre o inbreeding e o out-cross. Out crossing: trabalha-se com bettas sem consanguinidade próxima, com introdução constante de diferente material genético. Linha de sangue (L1, L2 e L3): grupo de bettas que formarão um grupo fechado de indivíduos que se acasalarão ao longo de gerações (F2, F3); Neste artigo detalharemos o dimensionamento de estufas de bettas com controle genético certificado/consistente. Este tipo de trabalho se apoia em premissas. Vejamos: Premissa 1: quanto ao manejo ninhadas de bettas levarão de dois a três meses para se desenvolver, desde o nascimento até sua colocação em beteiras individuais. Para fins práticos, daremos o prazo de três meses para ocupação dos tanques, devido aos retardatários; uma ninhada será sempre separada em dois aquários, ou caixas de crescimento (caixas plásticas) - chamados de tanques; Premissa 2: quanto às linhas de sangue dentro de uma mesma linhagem haverá, sempre que possível, três linhas de sangue distintas; em cada uma só poderemos avançar até F3; Premissa 3: outros pontos importantes a considerar no dimensionamento a quantidade de linhagens que serão trabalhadas simultaneamente; linhagens diferentes poderão crescer em um mesmo tanque, desde que o desenvolvimento dos alevinos seja compatível (alevinos de mesmo tamanho) e seus fenótipos complemente diferentes entre si. Exemplo: linhagem de vermelhos coexistindo com linhagem de azuis; linhagens com fenótipos visualmente semelhantes não poderão ficar juntas em um mesmo tanque. Exemplo: linhagens copper e black copper. Isto porque de ninhadas de bettas black copper sempre podem surgir bettas copper; Procedimento para criação de bettas com controle genético certificado/consistente a) obtido o casal desejado, efetuamos o cruzamento, colocando-o dentro do tanque 1 (TQ1). Assim iniciamos a nossa linha de sangue 1 (L1). b) retira-se as matrizes após a conclusão do processo de acasalamento, colocando-as nos tanques individuais; c) a ninhada resultante deste acasalamento (F1) ficará junta durante quinze dias no TQ1 e, depois disso, 50% dos indivíduos serão colocados em outro tanque (TQ2), onde permanecerão durante três meses para seu crescimento e desenvolvimento, da mesma forma que aqueles no TQ1. Como é possível haver a ocorrência de alguma doença, ou um acidente em um dos tanques, que leve à perda da ninhada, é um prudente seguir este procedimento. É mais uma questão de segurança, só isso. Caso não haja tal possibilidade, ignore a redundância. d) beteiras deverão ser disponibilizadas para acomodar os machinhos que forem se destacando. Recomenda-se muitas plantas flutuantes (samambaias d’água, p.ex.) nos tanques TQ1 e TQ2 para evitar estresse entre os bettas. Nesse ponto, temos beteiras com o pai, a mãe e as beteiras para os machinhos. e) deverão ser escolhidos: – uma fêmea para continuar L1 em F2; – um irmão para cruzar com ela, e continuar L1 em F2; – uma outra para voltar no pai e criar a linha de sangue 2 (L2); – separar outro casal de irmãos como segurança (reserva) dos itens anteriores; f) doar ou vender todos os demais irmãos que estejam em TQ1 e TQ2, visto que não serão mais usados nas gerações seguintes no trabalho na estufa. Esse procedimento deverá ser seguido em qualquer linha de sangue, e em qualquer geração “F” dentro dessa linha. Dessa forma, teremos no mínimo 7 aquários individuais distribuídos da seguinte maneira: · pai; · mãe (embora possa não ser mais utilizada – ou só em caso urgente); · macho (que continuará L1); · fêmea (que continuará L1); · macho (reserva); · fêmea (reserva) e · fêmea (que iniciará a L2). Considerações sobre a seleção das novas matrizes: Repare que não se pegou uma mesma fêmea para iniciar L2 e continuar L1. Deste modo, evita-se um aumento na taxa de consanguinidade, pois mesmo entre irmãos, sempre haverá algumas diferenças nas cargas genéticas. Não se utilizou a fêmea mãe matriarca para cruzar com um filho dela, pois na maioria dos casos, as fêmeas crescem muito, engordam, e os filhos não conseguem acasalar. Mas nada impede, caso seja possível tal acasalamento. Será outra linha que surgirá. Neste trabalho não será cogitada tal possibilidade, mas depois de entendida a filosofia de trabalho aqui apresentada, fique à vontade para dimensionar a estrutura necessária com tal variável. A partir do procedimento inicial (e repetitivo) entre as gerações para o dimensionamento da estufa, já obtemos neste ponto F2 na L1, e F1 na L2, onde: na F2, L1 foi obtido com o cruzamento de dois irmãos F1; na F1, L2 foi obtido com o cruzamento do pai com a filha (da L1 em F1). Veja o diagrama abaixo: Nesse ponto, pegamos um macho da L1 em F1 (de preferência, aquele que ficou como reserva e que não foi utilizado) e cruzamos com uma fêmea da L2 em F1, gerando a linha de sangue L3. Questão: por que não cruzar um macho da L1 em F2, em detrimento do macho da L1 em F1? Aqui cabe um leque de discussões e dependerá sempre da qualidade do material genético que está surgindo (fenótipos). Se o macho da F2 da L1 for melhor que aquele da F1 da L1, pode-se naturalmente utilizá-lo e desfazer-se do outro. Porém, se a diferença não for muito significativa, a “distância genética” (perda da carga genética ou hereditariedade) do F1 da L1 será maior do que aquela do F2 da L1 para a geração da fêmea F1 da L2. Esse fato não está ligado à idade, e sim a um maior afastamento dos conjuntos de genes (cargas genéticas) de ambas as gerações e linhas de sangue distintas, dando chance a outras combinações diferentes de genes, com menor atuação dos genes “nocivos” que podem surgir desses acasalamentos entre parentes muito próximos, devido à alta consanguinidade. Pelo menos, vejo dessa maneira, sem qualquer base científica que me ampare nesta afirmativa. Minha experiência de anos, pelo menos, constatou tal tendência. Pelo exposto, vemos que a utilização de um macho da L1 em F1 apresentará uma L3 com uma carga genética menos fechada do que aquela utilizando um macho da L1 em F2. Qualquer que seja a escolha para gerar L3 utilizando-se uma fêmea da L2 em F1 com um macho da L1 – L1 em F1 ou L1 em F2 –, temos como resultante: Chegamos em F3 na linha de sangue 1 (L1) Neste ponto, temos as seguintes considerações importantes: a) de acordo com a premissa 2, ao se atingir F3 em qualquer linha, há a necessidade de se fazer um “outcrossing” – uma abertura total de linha de sangue –, para se iniciar novamente aquela linha. b) nesse caso, a L1 – como já era esperado – atingiu primeiramente essa marca. Pode-se abrir essa linha com um indivíduo (um macho ou uma fêmea, não importa) de outro criador. Essa matriz deve ser o mais possível afastada geneticamente daqueles com os quais se esteja trabalhando do ponto de vista de parentesco. Ou seja, nenhum parentesco entre o casal é a situação desejada. Então, podemos mostrar a evolução do cronograma de cruzamentos: Repare que a mesma discussão que se fez poderia ser reaberta aqui, no tocante aos “novos ciclos” das linhas de sangue L2 e L3. Questão: mas por que não utilizar indivíduos mais afastados geneticamente em detrimento daqueles mais próximos? O novo ciclo da L2 poderia ser desenvolvido com indivíduo da L3, mas em F1 ao invés de F2, por exemplo. O mesmo raciocínio poderia ser aplicado ao novo ciclo da L3, lançando-se mão de indivíduo da F2, ao invés de F3 (ou mesmo da F1). Isso implica maior quantidade de beteiras disponíveis para acomodar esses indivíduos, de forma a tê-los à disposição no momento exato. Com essa estratégia, pode-se continuar o trabalho de forma segura e continuada. Considerações finais a) não podemos nos esquecer que a qualquer momento podemos lançar mão de aberturas de sangue, ou mesmo, cruzamentos entre linhas distintas de sangue(line breeding), sem a obrigatoriedade de se chegar até F3. Vai depender dos resultados obtidos em cada caso. b) o mesmo se aplica a se avançar adentro de cada linha (inbreeding) e passar, nas gerações, de F3 (F4, F5 etc.). O cuidado que recomendo ter para este último tópico é a observação cuidadosa dos resultados estruturais das ninhadas, independente de qual grau “F” esteja aquela linha de sangue. Possíveis aumentos nas quantidades de indivíduos defeituosos: · fracos; · doentes; · exemplares com pouco desenvolvimento; · aparecimento de calombos ou cavidades no corpo – especialmente na cabeça; · bettas apresentando o dorso protuberante (cabeça de golfinho e muito “bicudos”); · nadadeiras tortas (ou a ausência das mesmas) · corpos desproporcionais comparando-se o conjunto de nadadeiras (falta de equilíbrio estético, onde o betta apresenta corpo pequeno e nadadeiras imensas, ou corpo enorme e nadadeiras pequenas). c) preferencialmente, fotografar todos os bettas com os quais se tenha trabalhado visando a mesma qualidade e característica de imagem/foto: mesma câmera e ajustes, mesma iluminação e aquário, com transparência do vidro e da água. E ainda, caso a linhagem seja de bettas metálicos, ou com alto índice de iridescência, estas condições se tornam ainda mais necessárias. d) cabe lembrar que todo esse trabalho foi desenvolvido para uma única linhagem! Caso desejemos trabalhar com mais de uma linhagem, multiplicar todas as quantidades envolvidas pelo número total de linhagens. Quanto ao número de beteiras necessárias, deixarei a quem desejar aplicar as informações e recomendações contidas nesse trabalho a tarefa de dimensiona-las, pois dependendo da opção filosófica que utilizar, esse número poderá variar bastante. É claro que, caso o seu manejo não seja apropriado para possibilitar um desenvolvimento adequado aos seus bettas, de tal forma que os tempos de 3 meses não sejam suficientes para sua realocação destes em beteiras individualizadas, todos os tempos totais mudarão, mas não as posições relativas das ocupações dos aquários e tanques nos cronogramas. Ou seja, o cronograma vai se alongar. Uma estratégia à parte é que, quando se chega em F3, em qualquer trabalho, com 3 linhas de sangue, p.ex., ao invés de “out crossing”, com bettas de outros criadores que muitas das vezes não temos a informação no que diz respeito a seus históricos genéticos e, por isso mesmo, poderemos colocar todo o nosso trabalho a perder. Nesses casos, poderemos fazer “line breeding” (troca de exemplares entre linhas de sangue) com as três linhas, da seguinte maneira: O que guiará na escolha se será o macho da linha 1 com a fêmea da linha 2, ao invés do macho da linha 2 com a fêmea da linha 1, p.ex., será a qualidade mostrada nos respectivos fenótipos (formatos, cores, e distribuições das cores), e também, o seu objetivo a ser alcançado com aquele trabalho específico. Nesse caso, teremos os novos F1: L1 com L2, L1 com L3, e L2 com L3. Também poderá ocorrer o caso onde os resultados apresentados em determinada linha não estejam de acordo com os seus objetivos, o que levará ao abandono dela, com descarte total, e a trabalhar com uma linha a menos. Desejamos sucesso com seus Bettas! Referência: [1] Arquivo interno Betta Project.

  • Cultura de microvermes: preparação e cuidados

    Veja como é simples e exequível a manutenção da cultura de micro-vermes, um alimento muito interessante e próprio para os primeiros dias de vida de alevinos de Bettas. Não são a única opção, mas dentre as disponíveis que se tem em dado momento, pode fazer a diferença. Confira abaixo! Material necessário para a cultura de micro-vermes 1 – uma caixa plástica com tampa (dessas de sorvete) bem limpa e sem qualquer cheiro; 2 – uma faca; 3 – um copo de vidro (bem limpo e sem qualquer cheiro, desses de requeijão); 4 – uma espátula pequena e com ponta larga para raspar o copo e o fundo dele; 5 – uma gilete; 6 – um pacote de farinha de aveia (aquela fininha, parecendo talco; não serve flocos!) Iniciando a cultura de microvermes 1 – despejar a quantidade de farinha de aveia até que encha o copo um pouco acima da metade; 2 – adicionar um pouco de água (pode ser de torneira mesmo) sobre essa quantidade de farina de aveia, e COM A FACA começar a “cortar” a farinha de tal sorte que a água comece a penetrar na farinha de aveia dentro do copo. Quando não houver água sobrando – e, sim, uma massa quase seca de farinha de aveia –, acrescente EM PEQUENAS QUANTIDADES água à essa massa seca, e continue a “corta-la”, de tal sorte, aos poucos (e sem pressa), a ir convertendo em um mingau grosso. Nesse ponto comece a apertar esse mingau contra a parede do copo com o lado da faca, para acabar com aquelas bolinhas de massa seca que sempre se formam no meio do mingau. Com a espátula de ponta larga revolva, também, o mingau no fundo do copo, de tal sorte a não se ter massa heterogênea (meio seca, p.ex.) do restante do mingau. 3 – deixe esse mingau descansar por 10 minutos mais ou menos. Por que? Para que o calor exalado pela mistura da farinha de aveia com a água se dissipe, e a mistura absorva toda a água (como experiência, coloque o dedo – sem tocar na mistura – dentro do copo, e veja o calor que exala da mingau). Às vezes, o mingau se solidifica a ponto de se inverter o copo de cabeça para baixo e a massa ficar grudada. Nesse caso adiciona-se UM POUCO MAIS DE ÁGUA à mistura de tal forma que se consiga a consistência de mingau novamente (ver passo 2). 4 – depois que o mingau parou de aquecer, mistura-se a cepa com os micro vermes ao mingau. 5 – esse mingau inseminado é despejado COM CUIDADO, raspando-o do copo (paredes e fundo), e espalhado (sem sujar as paredes) no recipiente. Para ajudar a acamar o mingau de forma homogênea no fundo do recipiente, bata com o recipiente em uma superfície plana e horizonta. Além de acamar o mingau certinho, desprende-se bolhas de ar da mistura. Tampa-se bem tampado, e deixa-se o recipiente descansando. 6 – no dia seguinte, com um pano, retira-se (sem deixar que o pano toque no mingau) o excesso d’água (na forma de gotículas) que se forma nas paredes e na tampa do recipiente, devido ao calor que emanou do mingau devido a um possível processo de fermentação. Isso facilitará aos micro vermes subirem pelas paredes secas do recipiente alguns dias depois. Manutenção e manejo da cultura de microvermes 1 – de vez em quando, deve-se bater LEVEMENTE com o recipiente em uma superfície plana horizontal de tal sorte que os gases (na forma de bolhas) possam se libertar do mingau. Isso uma vez ou outra; não há a necessidade de ser todo dia. Pode-se também, ao invés de se bater com o recipiente, revolver cuidadosamente com uma pequena colher (dessas de se mexer café), a cultura. 2 – algumas vezes, se forma uma película sobre o mingau inseminado. É normal, e NÃO MEXA! Não tente retira-la, não é necessário. Quando essa película não se forma, é possível se ver (nos dias subsequentes à inseminação da cultura no mingau), a superfície formigando de vermes! NÃO FIQUE COLOCANDO O DEDO, pois pode contaminar a cultura ou outras coisa que, sei lá, podem estragar tudo. 3 – não fique toda hora abrindo a tampa do recipiente, só abra quando for coletar os micro vermes, ou quando for dar alguma manutenção na cultura. 4 – quando a cultura começar a cheira esquisito (dentro de uns 15 dias, mais ou menos) – ou quando ela começar a ficar mais acinzentada e escura –, com uma colherzinha (dessas de mexer café), comece a revolver VAGAROSAMENTE o mingau, e começará a ver o mingau abaixo dessa camada superior – que estará com uma cor próxima àquela do mingau original. Depois de bem misturado, bata um pouco o recipiente sobre uma superfície plana e horizontal de tal sorte a espalhar a mistura mesclada de tons acinzentados com tons próximos ao do mingau original, e soltar da massa as bolhas de gás. Nesse ponto recomendamos fazer uma nova cultura (mas, mantenha a atual, ainda). Mas, como conseguir nova cepa para inseminar a próxima cultura? 5 – raspa-se levemente das paredes do recipiente (com uma gilete) com a cultura estabilizada, quantidades de micro vermes. Essas quantidades devem ser depositadas dentro de uma colher de sopa, p.ex., ou em algum recipiente que seja fácil depois misturá-las no novo mingau (passo 4, do item “iniciar a cultura”). 6 – quanto à iluminação e temperatura ambientes, até o presente momento não tive nenhum problema com a cultura, pois, já estiveram no frio (14º C), no calor (32ºC), e até recebendo sol direto através de telhas de vidro. Porém, em temperaturas mais baixas, as culturas não “sobem” muito bem – isto é, os micro vermes não se alastram pelas paredes (e muitas vezes, até a tampa) do recipiente! Então, coloca-se o recipiente com a cultura sobre uma luminária aquecida (mas, cuidado: LEVEMENTE AQUECIDA – e não sobre uma luminária que atinja temperaturas que se rivalizam com as de um ferro de passar roupas, OK?). A cultura voltará a “subir”. Captura dos microvermes: o momento tão esperado Pega-se um pouco de água do aquário onde estão os alevinos e, com uma gilete, raspa-se levemente os micro vermes que se espalharam sobre as paredes do recipiente da cultura que se estiver usando. Depois sacode-se a gilete dentro do copo com a água recolhida do aquário dos alevinos. Mexe-se e derrama-se devagar espalhando pelo aquário. Depois, lava-se bem a gilete e, claro, seca-se a mesma. Boa sorte com a cultura! Referências: Arquivo interno Betta Project

  • Vermes do vinagre: preparo, manutenção, colheita e oferta para alevinos de bettas

    Material necessário um vidro grande de boca larga e com tampa (bem limpo e sem qualquer cheiro); uma peneirinha feita com tela de silkscreen de 180 fios. Recomendamos um diâmetro mínimo de 6 cm para essa peneirinha; um recipiente (desses utilizados para servir ketchup); d) um copo de vidro bem limpo e sem qualquer cheiro. Início e/ou manutenção da cultura de vermes do vinagre Despeje o conteúdo de uma embalagem de vinagre de maçã no vidro grande, e depois de esvaziado, encha-a novamente com água limpa e sem cloro, e misturar ao vinagre. Teremos, assim, uma mistura dentro do vidro, meio-a-meio, de vinagre e água limpa, e sem cloro. Adicionar a essa mistura uma maçã pequena cortada em rodelas finas sem caroço – pode-se manter a casca, desde que bem lavada. De preferência, essa maçã deve ser daquelas que se decompõem com facilidade – meio macias, mais farelentas. Aconselho a marcar no vasilhame de vidro, que deverá estar bem seco por fora, com uma caneta especial (e própria para escrever nesse tipo de superfície), o nível de líquido da mistura vinagre e água. Quanto à iluminação e temperatura ambientes, o bom senso recomenda um local fresco, com iluminação natural, sem receber sol diretamente. Uma vez que a mistura esteja com as fatias de maçã, derrame o líquido com a cultura (ou cepa) no frasco com a mistura. Pontos importantes: não ficar mexendo na cultura; depois de prepara-la, esqueça-se dela; olhe no máximo uma vez por dia, somente para ver como está o progresso da mesma; é desnecessária a medicação de pH, durezas ou outro parâmetro físico-químico; é necessário quase uma semana para estar apta à primeira colheita; a cultura, se mantida corretamente, pode perdurar uma vida inteira; Após alguns dias, a população de vermes no frasco tende a aumentar muito, e visualmente você verá uma “nuvem” em suspensão, em todo o líquido. Aí, você saberá que a cultura estará apta à colheita. É importante, após certa quantidade de colheitas, fazer a reposição da mistura água + vinagre de maçã no frasco da cultura. Isto garante que, mesmo com o aumento da população, haja propagação e qualidade na cultura de vermes do vinagre. Cultura de vermes do vinagre Colheita e lavagem dos vermes do vinagre Há diferentes maneiras para a colheita de vermes do vinagre. Uma delas, simples e eficaz, consiste na utilização de um recipiente limpo de ketchup (ou similar) – está na lista de materiais deste artigo. Aperte o frasco de ketchup para que parte do ar que está dentro do frasco saia. Após, encoste o bico deste frasco na “nuvem” de vermes do vinagre que fica flutuando junto à superfície. Por fim, alivie a força sobre o frasco de forma a sugar os vermes por meio do enchimento deste frasco, desta vez com a mistura água+vinagre, juntamente com os vermes capturados. Posicione a peneira de nylon, lavada e molhada previamente (é importante molhá-la antes!), no bocal do frasco dos vermes e, vagarosamente, aperte o frasco de ketchup de forma a despejar o líquido com os vermes sobre o tecido da peneira: a mistura retornará à cultura e os vermes serão retidos na peneira. Veja a ilustração, abaixo. Despejando os vermes na peneira: primeira etapa da colheita A mistura de vermes do vinagre é ácida. Por isso, estes devem ser lavados para que a mistura remanescente que fica em volta de seus corpos possa ser eliminada. Para isso, lava-se os vermes do vinagre da seguinte forma: abra uma torneira (de pia, por exemplo) com o fluxo contínuo de água na menor vazão possível, mantendo somente um filete de água; coloque a peneira com os vermes neste filete de água, permitindo sua passagem pela malha, lavando os vermes do vinagre; Com os vermes agora lavados, pegue um pouco de água do aquário (por meio de um copo) onde estão seus alevinos. Pegue um segundo copo, incline a peneira e despeje a água do frasco (ou copo) sobre a peneira, movendo os vermes para dentro deste segundo copo. Na imagem a seguir é apresentado o procedimento. Exemplo de procedimento para a colheita dos vermes do vinagre: passo 2 da colheita Servindo-os aos alevinos No caso de uma ninhada de bettas, com os vermes do vinagre lavados e transferidos para o segundo copo, utilize uma colher, ou conta-gotas, e pingue-os sobre o ninho, em torno deste e nas redondezas para que os alevinos possam caça-los, e se alimentar. Boa sorte com sua cultura! Referências: [1] Arquivo interno Betta Project

  • Bettas rim: quais são suas características e genética?

    Recentemente, surgiram no mercado bettas intitulados como Betta Blue Rim, Betta Green Rim, Betta Copper Rim. São peixes belos, mas será que são replicáveis ou fruto do acaso? Neste artigo vamos fazer a análise dos traços que caracterizam estes bettas e apontar para trabalhos que possam gerar os mesmos resultados. Quais são as características do fenótipo de bettas rim? Veja as fotos inicialmente mostradas no início deste artigo. Você perceberá que estes bettas possuem a borda das nadadeiras em cores iridescentes (azul, verde ou copper). Perceba que há falhas (ou diferenças) entre eles. Por exemplo, acreditamos que o betta bem à esquerda, o Blue Rim, esteja muito bem caracterizado. No entanto, os bettas Copper Rim e Green Rim indicados têm, nas nadadeiras dorsal e anal, a banda de cor iridescente com diferença de largura entre si; o contorno colorido tem uma largura que vai diminuindo ao longo do corpo do betta. Seria esta falha aceitável para caracterizá-los neste padrão? Não sabemos ao certo, mas acreditamos que não seria aceitável. De qualquer maneira, é algo muito recente para se determinar e consolidar mundialmente. Por outro lado, observe que o betta Blue Rim tem infiltração azul nas nadadeiras pélvicas, o que visualmente o torna mais atrativo. Como se origina o betta rim? Bettas Blue Rim, Green Rim, Copper Rim e outros (sempre cores iridescentes!) são bettas dragon (azul, turquesa e copper) com forte vazamento do manto opaco sobre as nadadeiras. Entende-se como manto a cor sobre o corpo do betta apenas. A lógica do arranjo de cores de bettas rim Então, se este manto dragon avançar sobre as nadadeiras do betta como indicado nas imagens já mostradas, temos os bettas rim, cada qual com sua cor iridescente. Caso o manto dragon tenha coberto todo o corpo do betta, temos um Super White ou Milky. Betta Milky: um betta dragon cujo manto avançou cobrindo todas as nadadeiras Analisando fenótipos de bettas rim Note que há uma falha no cobrimento do corpo do betta da foto acima, mostrando escamas azuis próximo do pedúnculo caudal. Trata-se, portanto, de um betta com marmorização; um betta instável. Este betta, por sua vez, poderia ser chamado de Green Rim? O que você acha? Note que o vazamento do manto dragon poderia ser diferente entre exemplares de mesma ninhada. Se você quiser aprender mais a fundo sobre este e outros traços genéticos, indicamos nosso Curso sobre a Genética do Betta. Gostou deste artigo? Indique-o para um amigo criador. Desejamos sucesso com seus bettas! Referências: [1] Arquivo interno Betta Project [2] Fotos da Internet

  • Estratégia para desenvolvimento de bettas com genética superior: o desafio dos criadores

    Nossa proposta para desenvolver bettas com genética superior Consideramos este conteúdo nosso guia. É e sempre será a fonte a partir da qual desenvolvemos novas ideias de conteúdo e aprofundamos nossa abordagem ao mundo dos bettas. Nossa estratégia de reprodução com bettas genéticos superiores esclarece os diferentes estágios pelos quais passa o criador de betta, do iniciante ao avançado – aquele que exibe seus bettas em shows de betta próprios. Talvez você esteja se perguntando: “o que são bettas genéticos superiores?”. Ao longo deste artigo iremos explorar extensivamente este conceito, e verá que faz todo o sentido. Vitor Calil Chevitarese é engenheiro de profissão e seu hobby é a criação seletiva de bettas desde 1965. Como o nome já diz, é a criação de animais com foco no melhoramento. Juntamente com Guilherme Fenselau David, fundamos o Betta Project em 2010, e neste artigo contaremos mais sobre essa ideia. O mundo dos bettas hoje O betta, por ser um peixe ornamental, tem, na reprodução seletiva, como principal objetivo o desenvolvimento de ninhadas com maior qualidade genética, gerando bettas belos, saudáveis e replicáveis. Porém, o que vem acontecendo nesses 60 anos de trato com bettas é a falta de informação por parte dos criadores sobre como selecionar matrizes (ou reprodutores) desse magnífico peixe ornamental. Os criadores estão se dedicando à criação de bettas para fins lucrativos ou de hobby. É importante deixarmos claro que sempre existiram criadores preocupados com a qualidade genética de seu trabalho. No entanto, esse número ainda é muito pequeno em comparação com outros criadores. Não se engane, isso não é apenas no Brasil, EUA ou qualquer outro país ou região, mas no mundo todo! O papel da criação seletiva Como poderíamos juntos melhorar o plantel de bettas? Aqui uma breve história introdutória. Veja se você se identifica! O aquarista começa ganhando um betta. Dias depois, o peixe morre. Então ele adquire outro, que sobrevive por semanas, senão meses. E agora, qual é o desejo? Aqui os aquaristas se dividem: alguns querem manter o betta como animal de estimação, e outros querem ir além: saber como reproduzir o betta para gerar novos exemplares. Ele então decide comprar uma fêmea para reproduzi-los. Mas falha. Colocou o casal em um aquário e eles não acasalam, há brigas e até mortes. Ou não brigam, mas o macho não faz ninho (cada um de um lado) - que decepção! Superadas essas fases, o macho acasalava, mas comia os ovos. Por fim, os filhotes nasceram, mas ele se esqueceu de produzir comida viva. Com isso, tentou improvisar com ração em pó e, claro, toda a ninhada morreu de fome, sumiu do aquário como se nunca tivesse existido. Neste ponto, o criador começa a trocar informações sobre suas falhas com outros criadores, e finalmente acerta uma forma de manejo para obtenção de alevinos. Ele consegue pegar alguns juvenis depois de algumas semanas, depois os leva para a fase adulta. Ele finalmente acerta a mão e começa o processo de criar os bettas normalmente. Claro, isso não imuniza o criador contra falhas futuras. Isso sempre continuará acontecendo enquanto ele lida com o betta. A próxima atração no mundo dos bettas é o desejo mais do que natural de desenvolver uma linhagem. Aqui marcamos o primeiro estágio do caminho evolutivo da criação de betta: o desejo de obter bettas belos e replicáveis – bettas de linhagem! Mas qual linhagem desenvolver? São tantas, cada uma mais linda que a outra, joias diferentes, verdadeiras, sem saber qual desenvolver. Em geral, o aquarista quer todos! Em seguida, cruza todos entre si, juntando as cores e formas de cada um para obter algo diferente (uma suposta nova linhagem). Mas o que acontece? Ele só pega bettas de pouca beleza, muito abaixo do que esperava. Resultados muito decepcionantes: bettas comuns. A partir daí, o criador chega a uma encruzilhada decisiva: ou desiste ou continua. Agora ele tem incontáveis bettas – mais de uma centena deles! -ele não sabe o que fazer com eles e decide vendê-los. Ele vende aos incautos que se trata de uma nova linhagem, inventando um nome para o que está vendendo: dragão azul PK DT full mask vermelho amarelo mármore. Isso na primeira cobertura, na geração F1. Em F2, eles são chamados de cauda dupla preta mármore rosa sem máscara azul esverdeado. Ele também nota que, comparando os resultados obtidos nas duas gerações, não há semelhança entre elas. O criador continua com esse trabalho de comercialização - a nosso ver impróprio e antiético - produzindo apenas bettas sem nenhuma qualidade genética, alguns até lindos, mas de forma impossível desenvolver um belo trabalho com técnicas de criação seletiva, marcamos a segunda etapa do caminho evolutivo: o criador decide continuar, persistir, mesmo enfrentando esses problemas. Ele recomeça do zero. O conteúdo a seguir marca o terceiro estágio desse caminho evolutivo quando concluído. Veja lá... E é justamente aqui que iniciamos nossa estratégia. Estratégia para desenvolver bettas com genética superior: fundamentos Tem como objetivo desenvolver bettas com qualidade genética. Como melhorar o esquadrão betta? Resumimos aqui as principais frentes de trabalho. Veja e participe! • Estudo da genética betta: informação, prática e trabalho consistente. • Plataforma de registro de Bettas: padronização e controle de bettas, ninhadas e sua genética. • Troca de informações entre criadores: trabalho conjunto, seriedade e reputação. • Exposições técnicas e especializadas de betta: ênfase técnica, voltada para criadores e público em geral; • Treinamento para juízes de shows de betta: desenvolvimento de um método consistente e assertivo que possa ser aplicado no julgamento de qualquer betta. • Criação de associações de criadores: promoção e manutenção da cultura de bettas genéticos superiores e apresentação de trabalhos novos e estabelecidos. A little more detail: Estudo da genética do betta É um conhecimento essencial para a aplicação do melhoramento seletivo. Sem isso nada acontece: travessias lançadas ao acaso e sem fundamentação teórica. Plataforma de cadastro e consulta de bettas Com base no conhecimento e na prática da criação seletiva visando linhagens, promovendo bettas de qualidade, os criadores precisarão trocar e ter informações sobre os espécimes que estão trocando e reproduzindo. Esses registros devem ser padronizados. Somente por meio de um sistema informatizado isso pode ser materializado e utilizado de forma consciente entre a população de criadores. Troca de informações entre criadores O desenvolvimento de novas cepas muitas vezes requer trabalho em equipe, onde diferentes criadores trabalham juntos para um objetivo comum, uma nova cepa ou a obtenção de uma cepa já estabelecida. As duas frentes anteriores apoiam essa atividade. Exposições especializadas com ênfase técnica e formação de juízes A cultura de bettas com genética superior torna-se popular entre criadores e entusiastas, tornando-se algo palatável e necessário para a continuidade do hobby, promovendo exposições técnicas que difundem a cultura da criação seletiva de bettas. O mundo dos bettas ganha notoriedade e as matrizes aos poucos começam a ter maior valor comercial. Associações de criadores de bettas Envolvidos pelo desejo de replicar bettas de qualidade, trabalhar visando linhagens novas ou já estabelecidas, os criadores se unem em prol de um objetivo comum. Se você se identifica com esse material, conheça nossos artigos e cursos! Sucesso com seus bettas! Equipe Betta Project

  • A criação seletiva aplicada ao peixe betta

    O que é criação seletiva A criação seletiva (ou Selective Breeding, em inglês) é uma técnica utilizada para o desenvolvimento de uma nova variedade, resultante de um programa de melhoramento genético. Interessante de ressaltar é o conceito de criação: “criação é a ciência aplicada da genética; ou seja, um aquicultor (aquarista, em nossos casos) que conduz um programa de melhoramento seletivo é criador”. A figura 1 apresenta um exemplo de gráfico de evolução, especificamente do lobo selvagem aos cachorros através da criação seletiva. Figura 1 – Evolução do lobo selvagem aos cachorros: a criação seletiva A criação seletiva no mundo dos bettas De acordo com o artigo publicado pela Universidade da Flórida intitulado ‘Evolution, Culture, and Care for Betta splendens’, o betta atual é um produto de quase 100 anos de história da criação seletiva. Inicialmente os machos eram selecionados por sua agressividade para populares rinhas de bettas na Tailândia – acredite, é uma prática comum naquela região, da mesma maneira que há rinha de galos e outros animais em todo o mundo. Os bettas de hoje são muito diferentes que os bettas combatentes de antigamente; tornaram-se coloridos e embelezam nossos aquários, sendo este seu principal mercado nos dias de hoje. Ainda, esforços em sua reprodução são totalmente focados na beleza do peixe Betta, embora a agressividade permaneça. No caso dos bettas, observamos que há alguns motivadores, entre outros: Vantagem comercial sobre outras variedades: ocorre quando o criador visa maior lucro com a venda de suas matrizes (quando da atividade profissional com o peixe Betta); Ter maiores chances de pontuação em exposições especializadas de bettas; Satisfação pessoal como hobbysta por obter uma nova variedade estável e replicável; Na figura 2 representamos o Betta Azul Royal e o Betta Black Devil. Melhoramento genético O melhoramento genético é resultante de peixes com certos fenótipos e descarte de peixes que não os possuem. Entende-se que o descarte trata dos fins para novos acasalamentos, onde o criador mantém o peixe até seu final de vida, presenteia alguém com o pet ou outra destinação. A partir disto da seleção, o criador espera uma população de peixes geneticamente melhorada. Caso isto aconteça, os peixes da próxima geração serão mais valiosos porque seus genes permitirão a exibição de uma cor, arranjo de cores e/ou formato desejável. Para que se possa realizar o melhoramento genético, a identificação dos traços é necessária. Estes, por sua vez, são expressões físicas dos genes, compondo assim o fenótipo – que é individual para cada exemplar, gerado pela combinação dos traços e fatores ambientais. Consulte nosso artigo “O que são bettas de linhagem” para mais informações sobre estes conceitos. Manejo genético Um criador que entende por que está fazendo algo, é mais provável que o faça corretamente, e isso garante o sucesso. Há dois tipos de traços: Quantitativos Qualitativos Os fenótipos (ou traços) quantitativos são aquelas características que podem ser mensuradas, tais como comprimento do exemplar, peso, entre outros. Um exemplo de fenótipo quantitativo que vemos nos bettas são o número de raios da nadadeira dorsal e o número de ramificações da nadadeira caudal nos bettas, de acordo como apresentado na figura 3. Fenótipos qualitativos são traços (ou características) que não são medidos, e sim arbitrados (ou julgados) de maneira não numérica. Ex: escuro/claro e cores, tais como azul, melano (ou preto), amarelo, vermelho. Em nosso Curso sobre a Genética do Betta, você conhecerá uma gama de traços para analisar e trabalhar suas matrizes e ninhadas dos bettas por meio da criação seletiva. Ganhos com a criação seletiva A criação seletiva provou ser o processo mais efetivo para melhoria genética de plantas e animais. Especificamente na aquicultura ornamental, verifica-se que nos anos 1970 os guppies tenham despertado especial interesse para criação seletiva. É um peixe fácil de ser reproduzido e prolífero. Para que você tenha uma ideia do quão importante é a criação seletiva de exemplares com vistas à melhoria genética, a figura abaixo mostra diferentes cenários podem resultar de distintos manejos genéticos: com seleção (criação seletiva), selvagens e pobre manejo genético (voltado à sorte, sem conhecimento). Como se pode verificar, o desconhecimento das questões sobre o manejo genético resulta no declínio da performance das populações dos exemplares – em nosso caso, dos bettas. Conclusões Uma das frentes do setor de aquicultura é, justamente, prover o manejo genético eficiente de exemplares domesticados: e partir disso emerge o conceito da criação seletiva. O manejo e retenção da diversidade genética fornece matéria-prima para o sucesso da criação seletiva. Trazendo este contexto para os aquários dos bettas domesticados, verifica-se quão importante é o conhecimento da Genética do Betta com vistas ao melhoramento de sua beleza estética. Desejamos sucesso com seus bettas! Referências: [1] Food and Agriculture Organization for the United States (www.fao.org) [2] Revista Aquaculture Europe – 4º Bimestre 2010 [3] WATSON, Craig et al. Evolution, culture, and care for Betta splendens. EDIS, v. 2019, n. 2, 2019. [4] Arquivo interno Betta Project

  • A cor vermelho sangue nos bettas: um novo pigmento

    Nos mais de 50 anos dedicados ao estudo da genética do Betta, Vitor Calil Chevitarese apresenta neste artigo (e por meio de nosso Curso sobre a Genética do Betta) os indícios que apontam para a existência de um novo pigmento e propõe uma modelagem genética para fins práticos nas estufas de criadores de bettas. Veja que interessante isto pode ser em suas linhagens de bettas! Um novo pigmento nos bettas Os bettas que conhecemos em aquários possuem cores (e sua distribuição) muito variadas. Genes atuam na sua fixação ou mesmo instabilidade, permitindo a alteração do fenótipo ao longo da vida do betta – o que é indesejado para criadores que buscam estabilidade nos melhoramentos de suas linhagens. Os bettas domesticados que conhecemos hoje são fruto do cruzamento entre diferentes espécies do gênero Betta. Ou seja, são híbridos férteis estética e comercialmente muito atrativos. Nesse sentido, um novo pigmento vem atraindo a atenção dos criadores, o qual denominaremos BLOOD ou VERMELHO SANGUE. O betta atual: um híbrido fértil A criação seletiva de bettas é algo que ocorre com início sem precedentes. Todas as características visuais (cores, arranjos de cores e formatos) possuem Modelagens Genéticas, algumas das quais ainda são da década de 1960, idealizadas pelo pesquisador Gene Lucas e outros. Apresentaremos aqui novo complemento a elas. O betta domesticado, encontrado em exposições é fruto do cruzamento entre o Betta imbellis, o Betta smaragdina, o Betta mahachaiensis, o Betta simorum e outras, resultando em verdadeiras jóias vivas. O paradoxo na modelagem genética dos não-vermelhos A modelagem mundialmente aceita para a pigmentação vermelha nos Bettas se mostra ineficaz para explicar a questão que trataremos neste artigo: o pigmento vermelho sangue existente na coloração dos Bettas atuais. Verifica-se esse novo tipo de coloração vermelha nos primeiros Red Dragon que surgiram no mercado mundial. A foto abaixo ilustra com um exemplo. Verifica-se a cor vermelha com tonalidade escura, a qual intitulamos “vermelho sangue” (ou “vermelho vinho”). A qualidade do tom vermelho existente em alguns Bettas Red Dragon (como o exemplar da foto acima) é diferente daquela que encontramos nos Bettas vermelhos tradicionais (os vermelhos cereja). A primeira questão que muita gente não entende é o porquê de o gene ligado ao pigmento vermelho comum ser atribuído Nr, e não Rd (de Red, que significa “vermelho”, em inglês), por exemplo. Isto ocorre porque Gene Lucas somente queria frisar que a cor amarela era resultado da própria recessividade do gene vermelho, e não da ação de um gene “amarelo”, por exemplo (Yw, de yellow, que significa “amarelo” em inglês). Importante Do ponto de vista da nomenclatura da genética utilizada nos modelos de trabalho, tudo relacionado à recessividade utiliza letra minúscula, e quando se está referindo à dominância, utiliza-se a letra maiúscula. Como o “amarelo” representava o estado recessivo “não-vermelho”, seu genótipo seria nrnr. Logo, a presença da cor vermelha passou a ser representada quando pelo menos um dos genes do alelo fosse Nr. Dessa forma, tem-se os três genótipos da modelagem inicial (década de 1960) que definiriam as presenças de vermelhos e amarelos: Nr Nr – vermelho homozigoto (ou seja, os dois alelos são iguais) Nr nr - vermelho heterozigoto (ou seja, os dois alelos são diferentes) nr nr – não vermelho (recessivo) – seriam os amarelos Todavia, Gene Lucas não estava preocupado em classificar cada um dos demais arranjos de cores (diferentes dos tradicionais amarelos) que começaram a surgir do acasalamento entre vermelhos heterozigotos Nrnr, ou entre vermelhos heterozigotos, e amarelos nrnr. Começaram a surgir os bicolores pineapple e chocolate, e mais tarde, durante a década de 1990, os alaranjados, e os rosados (não confunda estes últimos com os bicolores cambojas, que possuem outra modelagem genética). Portanto, tanto os rosados, os alaranjados, os pineapples, os chocolates, e os próprios amarelos, sem exceção, serão nrnr no modelo proposto por Gene Lucas. Veja as fotos mostradas abaixo. Questão: este novo vermelho seria realmente um novo pigmento? Conforme afirmado anteriormente, para a coloração vermelho-vinho dos primeiros Bettas Red Dragon haveria uma nova hipótese: uma modelagem diferente do vermelho cereja tradicional. Isto se comprovou quando este vermelho começou a se manifestar em alguns bettas, juntamente com o tradicional amarelo, os chocolates, e os pineapples. Os fenótipos dos Bettas Plakat abaixo apresentam esta característica: Existem as cores amarela e vermelho sangue (ou vinho) se manifestando juntas no betta. De acordo com o modelo tradicional sugerido por Gene Lucas, o betta é vermelho (NrNr, Nrnr) ou não-vermelho (nrnr). Ou seja, ou um, ou outro - nunca os dois ocorrendo simultaneamente. Portanto, verifica-se a necessidade de modificar e ampliar o modelo tradicional. No modelo tradicional só existem os genes Nr e nr concorrendo dentro de um mesmo lócus no DNA do Betta, definindo uma única cor (ou vermelha, ou não-vermelha). Lembre-se que em cada lócus haverá apenas um par de genes (NrNr, Nrnr, ou nrnr). Questões: a) Como definir as duas cores (a do novo vermelho, e a de não-vermelho) trabalhando juntas? Torna-se evidente que é necessário um segundo par de genes para sua modelagem, juntamente com o par Nr/nr. b) De acordo com o modelo universalmente aceito para os vermelhos e não vermelhos como isso pode ser possível? A única explicação é que esses Bettas, por serem o resultado de cruzamentos entre espécies diferentes de Bettas (ou seja, são híbridos férteis), têm em seu DNA genes apresentando diferentes tipos de pigmentos vermelhos e não-vermelhos, cada qual coexistindo em um lócus específico. Proposição de modelagem genética para o gene vermelho-sangue em bettas Os tradicionais genes (Nr) e (nr) existentes na modelagem atual continuariam responsáveis pelas presenças tanto do pigmento vermelho cereja, quanto dos não-vermelhos. Ao final, teremos outro tipo de pigmento vermelho (que tratamos aqui e nomeamos como vermelho sangue), representado pelos alelos Sg e sg. Lembre-se que são alelos originados de uma espécie diferente do Betta splendens que contribuíram na formação do híbrido fértil que conhecemos. Veja esse Orange infiltrado com vermelho sangue (o chamado Orange Dalmatian). Este betta possuirá os alelos nrnr (referente à coloração alaranjada), e um par residente no outro lócus Sg/sg, que poderá ser SgSg, Sgsg, ou sgsg. Como a nossa intenção nesse artigo é chamar a sua atenção para essa nova realidade, não entraremos na análise e discussão desses novos traços e a sua modelagem prática. Caso deseje saber como trabalhar com esses modelos práticos, ingresso em nosso Curso sobre a Genética do Betta, acessando nosso site (www.bettaproject.com). Boa sorte com seus Bettas! Referências: [1] Arquivo interno Betta Project [2] Imagens da Internet

  • Guia sobre as principais características do peixe betta

    Desenvolvemos neste artigo um resumo das características deste magnífico peixe ornamental. Se você estiver iniciando no hobby com um betta de petshop – caminho geralmente trilhado pelos iniciantes no hobby -, saiba que existem muitas informações a conhecer sobre este peixe. Parabéns por adquirir mais informações sobre o assunto. Realmente, peixes domesticados em certas vezes sofrem por desinformação do hobbysta no manejo. Trazemos neste artigo, com linguagem simples e foco prático, de fácil compreensão, a origem do betta, sua história, habitat natural, domesticação, o processo de formação de cores, distribuição destas cores, formatos (as características do shape deste animal), como reproduzir bettas, tamanhos de aquários para manter bettas, características da água, iluminação, sua genética, exposições de bettas mundo afora, e muito mais. Esperamos que este artigo seja proveitoso a você! Boa leitura. Índice Introdução: a origem dos bettas A criação de bettas de diferentes espécies Classificação dos bettas Cores e tonalidades de cor nos bettas Os principais elementos que compõem o formato (shape) dos betttas Adquirindo bettas Bettas comuns e bettas de linhagem Reprodução: como fazê-la Doenças em bettas Aquários para bettas Aprimoramento genético: a aplicação da criação seletiva em bettas Exposições de bettas Betta Project – A DNA Experience Panorama do mundo dos bettas – nossa visão Referências Introdução: a origem dos bettas Bettas são originados na Tailândia e regiões próximas do sudeste asiático. Mas hoje em dia, existem no mundo inteiro! As pessoas criam bettas por diversão ou lucro, e com frequência, lagos e córregos estão com estes peixes, uma vez que pessoas descartam seus animais excedentes nestes locais. Há lugares, contudo, em que eles sobrevivem a seus predadores, alterando assim a fauna do local. Criadores os mantém pela beleza decorativa, selecionam os melhores exemplares para reprodução. E aqui cabe um parêntese: se você quer replicabilidade dos pais, é importante que estude a genética do betta, pois sem ela, se lançará à sorte nos cruzamentos. Há criadores que os mantém pelo grau de agressividade, para fins de rinha (briga entre exemplares) e apostas. Não é nosso foco aqui, ademais é uma prática muito antiga em seu país de origem e arredores. No Brasil é entendido como crime de maus-tratos contra animais. Atualmente, espécies de rinha são o Betta splendens, Betta smaragdina, Betta imbellis, Betta prima e Betta pi. De acordo com Goldstein (2004), há notícia de que bettas foram importados da Tailândia para a França em 1874, e 19 anos depois foi descrito seu procedimento para reprodução. A partir disso, foi rapidamente disseminado e distribuído pela Europa. Erroneamente, foi chamado de Betta pugnax, pois era o único betta catalogado à época. E assim foi sucessivamente distribuído no mundo inteiro, cada região à sua época por seus residentes aquaristas interessados. O Betta splendens se tornou um dos mais populares entre aquaristas. São especialmente decorativos, como veremos neste artigo. Ainda, de acordo com Goldstein (2004), os primeiros bettas importados da Asia já eram long fin. Veja nosso artigo sobre a origem do betta long fin que, segundo pesquisas do Sr. Precha Jintasaerewonge, tem sua origem desconhecida, uma vez que o Betta splendens selvagem tem nadadeiras curtas. Veja a foto a seguir. Ela mostra um exemplar de Betta splendens selvagem. Note suas nadadeiras caudal e anal são curtas frente aos que apresentaremos posteriormente. Betta splendens (selvagem) Fonte: Internet Habitat natural Originalmente encontrado em arrozais tailandeses, o betta tem como preferência de alimentação a ingestão de insetos na natureza. Em dado momento, iniciou-se a captura de exemplares e, a partir disso, a domesticação do betta tomou forma, até o ponto que temos atualmente. A criação de bettas de diferentes espécies Cruzamentos e a origem do peixe betta híbrido Com exceção dos locais onde a rinha de bettas ainda é praticada, somos da opinião que todos os demais cruzamentos visam a manutenção ou incremento da beleza estética dos bettas. Dada a mistura entre diferentes espécies que vemos atualmente, o betta que conhecemos é, via de regra, um peixe híbrido viável e fértil. No entanto, o betta que temos em aquário, comprado de criadores ou lojas de aquarismo, é um peixe híbrido, salvo exceções, quando especificada a origem do animal pelo criador. Naturalmente, há quem ainda mantém os bettas selvagens para diferentes finalidades. Não aprofundaremos aqui mais este assunto, todavia você pode consultar a web para mais informações sobre bettas selvagens, peixes híbridos, viabilidade e fertilidade. O Betta splendens de hoje, nomeado neste artigo como betta, é um peixe magnífico. Possui infinitas cores, tonalidades, formatos e arranjo destas cores que tornam cada exemplar único. Mesmo em linhagens, há aqueles que se diferem um do outro, especialmente (mas não de maneira exclusiva) quanto a formatos, herdando as cores e arranjo de cores de seus pais. Mais adiante veremos o que isto vem a ser. A seguir, imagens de alguns bettas com legenda segundo sua classificação. Betta multicolorido long fin (nadadeira caudal e anal alongadas) Betta Vermelho Cereja Observe o tamanho das nadadeiras e sua proporção Betta Chocolate Há outros – muitos! – os quais veremos mais adiante. Classificação dos bettas Nossa proposição de classificação dos bettas quanto a cores e arranjo de cores Bettas possuem diversas categorias. Saiba que estas categorias são controversas mundo afora. Não há um padrão ainda mundialmente aceito, unânime, entre criadores e, principalmente, expositores. Em função disto, nós do Betta Project, temos nossa proposição de classificação quanto às cores e arranjos de cores para os bettas. Veja o mapa mental a seguir: Vamos a alguns exemplos práticos. Bettas sólidos: possuem a mesma cor no corpo e nadadeiras. Veja exemplos: Betta Azul Royal Betta Milky (ou White) Betta Amarelo Betta Rosado Betta Vermelho Cereja [Betta Vermelho Sangue | a ser desenvolvido] Seria um betta vermelho sólido (mesmo vermelho de red dragons - abaixo um exemplo da cor vermelho sangue) Quer saber mais sobre a classificação dos bettas? Bicolores, multicoloridos, multicoloridos especiais, e assim por diante.. Temos um ebook totalmente gratuito que trata disto. Ele indica as características técnicas de cada classificação (sólidos, bicolores, multicoloridos comuns, multicoloridos instáveis, multicoloridos especiais e assim por diante). É um material muito rico e preciso, com know-how de mais de 50 anos lidando com os bettas, fundamentado em padrões internacionais. Aproveite e faça o download clicando no banner abaixo. Cores e tonalidades de cor nos bettas O processo de formação de cores nos bettas tem sua lógica. Quem não conhece sua origem, pensa que o processo de formação de cores é fruto do acaso quando bettas são cruzados e geram descendentes. Em nosso artigo sobre o processo de formação de cores nos bettas, procuramos, de maneira introdutória e lúdica, explicar como funciona sua dinâmica. Informações detalhadas, práticas e técnicas você pode aprender em nosso Curso sobre a Genética do Betta. Ele será sua caixa de ferramentas para a seleção de matrizes, aplicando assim a reprodução seletiva (ou criação seletiva), tendo conhecimento genético do histórico das matrizes e suas ninhadas. Desenvolveremos o estudo aprofundado na linhagem black salamander, que atualmente não existe, ao final do curso. Os principais elementos que compõem o formato (shape) dos betttas O shape do animal, assim como em cachorros, define suas características físicas. Em cachorros, você verá inúmeras! Por exemplo: comprimento das patas, tamanho do rabo, tamanho das orelhas, alinhamento das orelhas, altura do animal no dorso e na cabeça, e assim por diante. Cada animal possui as suas. No caso dos bettas, o shape reside nas nadadeiras, características de ramificação destas, número de ramificações, tamanho das nadadeiras, tamanho do corpo, massa corporal, geometria do dorso, e assim por diante. Vamos a alguns exemplos: a) Estrutura da nadadeira caudal: é definido pelo número de ramificações que a nadadeira caudal possui. Diz respeito à formação do tecido da caudal. Ex: 2R, 4R, 8R, 16R. Veja a representação abaixo. b) Equilíbrio estético: deve haver proporcionalidade entre o corpo e nadadeiras do betta. São preferíveis nadadeiras proporcionais ao tamanho do corpo, ou seja, se possuírem tamanho exacerbado, dificultam o nado do peixe, por demandarem muito esforço para sua movimentação. Veja na imagem acima a desproporção das nadadeiras deste betta. c) Formato das caudais: há três grupos. São eles: Caudal em formato de vela – o chamado veil tail; Caudal redonda – o chamado round tail; Caudal em delta: os raios caudais externos são mais abertos, de 75º a 180º, onde: i. Super Delta: menor que 180º ii. HM (Half Moon): 180º iii. OHM (Over Half Moon): > 180º Black Dragon Over Half Moon (OHM) E assim por diante. Há ainda características como borda das nadadeiras, tipos de superfície da nadadeira caudal, tamanho das nadadeiras peitorais, tamanho das nadadeiras caudal e anal. Veja abaixo uma representação das partes do corpo do betta quanto a formatos: Legenda: · 1: Nadadeira dorsal · 2: Nadadeira caudal · 3: Nadadeira anal · 4: Nadadeira peitoral · 5: Nadadeira ventral ou pélvica · 6: Opérculo ou cobertura das guelras · 7: Pedúnculo caudal · 8: Olho · 9: Boca Adquirindo bettas Naturalmente, você pode adquirir bettas com problemas de saúde, principalmente aqueles debilitados ou maltratados pelo criador ou lojista. Isto faz parte do contexto, e deve ser considerado. Muitas vezes criamos sentimento pela condição daquele animal à venda, o compramos, tratamos e damos condição saudável para sua vida, chegando a selecioná-lo como matriz (para reproduzir). Isto é bastante comum. Bettas comuns e bettas de linhagem Igualmente à classificação de bettas, há criadores que discordam do que seja uma linhagem, atribuindo esta qualidade a bettas que não são de linhagem. Somos da opinião que isto irá maturar ao longo dos anos; é uma questão de desinformação apenas, visto que a variedade de bettas é significativa, onde cada exemplar é único, visto que há diferentes shapes e tonalidades de cor. Bettas de mesma linhagem apresentam suas cores e distribuição de cores iguais ao longo de gerações subsequentes. Ou seja, sua beleza e aparência estética não muda ao longo das gerações, traços genéticos estes que são escolhidos pelo criador quando fixa sua linhagem. Como criar uma linhagem de bettas A linhagem do betta é determinada pelo criador. A premissa é que o fenótipo seja estável ao longo das gerações subsequentes, caso contrário, não há fixação de cores e distribuição de cores (e shape, se assim desejar). Veja o porquê em nosso artigo em https://www.bettaproject.com/post/por-que-os-tracos-marmore-marble-e-perda-de-vermelho-red-loss-inviabilizam-linhagens-em-bettas os complicadores. Fundamentos para desenvolver uma linhagem de bettas: Defina a cor(es) e a distribuição de cor(es), essencialmente. O shape você pode fazer depois, se assim desejar. Mas sempre comece com as cores e distribuição de cores - é uma boa prática. Fixará, portanto, um objetivo; Defina os traços genéticos necessários para atingir seu objetivo. Utilize seu conhecimento na genética do betta para desenvolver esta etapa; Busque matrizes que possuam histórico genético conhecido, com traços que vão ao encontro do seu objetivo; Realize cruzamentos de teste, se necessário, para atestar a presença ou ausência de determinados traços genéticos nas matrizes. É importante frisar que a marmorização ou perda de vermelho não podem existir para que haja a manutenção da beleza estética do betta; Cruze as matrizes; Selecione exemplares que mais se assemelham ao seu objetivo; Repeta as etapas 5 e 6 até atingir seu objetivo, sempre registrando suas observações dos traços genéticos presentes nas ninhadas; Estabilize a linhagem. Aqui você pode também refinar ainda mais seu objetivo. Quer saber mais? Acesse nosso artigo sobre como desenvolver linhagens de bettas! Bettas possuem infinitas combinações de cores, diferente de outras espécies de peixes. O padrão (ou classificação) vai ao encontro daquelas que vimos anteriormente. Quer saber mais? Clique na imagem abaixo para acessar a página do ebook. Reprodução: como fazê-la A reprodução do betta (manejo reprodutivo) possui uma fase de planejamento precedente à colocação das matrizes para reprodução. A seleção do tamanho do aquário, aquecimento, local onde ficará, condição de iluminação, verificação da saúde do animal, seleção das matrizes e alguns outros quesitos. Depois de você colocar o casal para reproduzir no aquário ou recipiente devidamente selecionado, haverá cuidados para que não haja morte ou briga excessiva entre o casal. Temos um curso sobre o manejo reprodutivo do betta. Quer fazê-lo? É gratuito! Clique aqui e faça já o curso sobre Manejo Reprodutivo do Betta. São 3 vídeos que totalizam 1h05min de video aulas, indo desde a seleção do aquário até alimentos a nutrir o juvenis até a idade adulta. Conheça! Mais gratificante ainda é quando você conseguiu antever quais fenótipos (características visuais) serão possíveis na ninhada. Você traçou um objetivo e constata que está no caminho correto (ou incorreto!). Nesta fase, um novo horizonte se abre fundamentado no conhecimento da genética do betta. Doenças em bettas Atualmente, especialmente com o advento da Internet, diversas publicações existem sobre a análise e tratamento das condições de saúde dos bettas e outros peixes ornamentais. Criadores, de maneira geral, usam sal (preferencialmente sem iodo) ou com o iodo previamente removido com produtos próprios para isto (condicionadores de água), como agente profilático. Não entraremos em detalhamento nisto, todavia lembre-se que o primeiro quesito para que haja saúde do animal é água limpa, sem compostos nitrogenados (amônia, nitrito, nitrato) dissolvidos na água e minerais, bem como outros elementos químicos. Aquários para bettas Entendemos que existem diferentes tamanhos de aquário nos quais os bettas são mantidos em diferentes momentos de vida. Veja: Aquário comunitário: há quem mantenha bettas em aquários comunitários. Em geral, machos ficam tímidos e não conseguem fazer ninho quando houver uma movimentação da água muito forte (aeradores ou filtros, essencialmente). Criadores, em geral, os mantêm (os bettas machos) em aquários individuais, exclusivos. Além disso, deve-se ter cuidado, nestes casos, com a mistura de peixes que você fizer: cuidado com as nadadeiras deles, pois há espécies que realmente deixam de ser compatíveis por mordiscarem suas nadadeiras, o que leva o peixe a níveis de stress elevados, podendo chegar à morte. Betta em aquário comunitário Aquários individuais: bettas são peixes territorialistas. Geralmente, machos não convivem em mesmo aquário. Se colocados em aquários de grandes dimensões, podem conviver, cada um no seu canto – como na natureza. Mas isto é relativo. Não podemos aqui sugerir uma área superficial mínima por betta por não termos testado isto. Convém lembrar, no entanto, que alevinos e juvenis crescem, mesmo com sexo oposto, em mesmo ambiente. Ou seja, a ninhada (ou parte desta) fica em um aquário maior àquele da reprodução (geralmente este é pequeno). Os juvenis crescem juntos. E partir de dado momento o criador deve separá-los para minimizar e evitar brigas e até morte. Aquário com filtragem, plantas e exclusivo para um betta Fonte: https://japanesefightingfish.org/do-betta-fish-need-a-filter/ Beteiras e demais recipientes: bettas sobrevivem - preste atenção neste verbo - também em volumes de água muito pequenos, tais como 500 ml. Há criadores que os mantém em recipientes ou beteiras pequenas de maneira a tê-los isolados uns dos outros. Aquários pequenos, beteiras e recipientes, tais como potes de sorvete (ou plásticos) e potes de vidro para conserva, também são de uso corriqueiro Você, entusiasta de bettas, deve fazer sua escolha sobre como manter seu pet ou matriz, caso se torne criador. Não emitiremos opinião aqui sobre o tamanho de aquário ideal, ou mínimo. Mas lembre-se que na natureza (arrozais, poças e pequenos lagos) são livres e podem nadar com todo seu esplendor, mantendo uma boa saúde graças ao exercício (nadarem livremente). É importante também ressaltar que água limpa, com possibilidade de o betta se exercitar, sem exageros, promove uma vida longeva ao animal. Ex: água turbulenta, por bombas submersas, tendem a estressar o betta, pois por natureza é um peixe que se movimenta pouco em relação a outras espécies. Aprimoramento genético: a aplicação da criação seletiva em bettas Aqui inicia um tema temos muito apreço: a criação seletiva, o aprimoramento genético e a melhoria do plantel de bettas. Temos materiais já desenvolvidos sobre isto. Clique no link de cada um para mais informações. Estratégia para desenvolvimento de bettas com genética superior A criação seletiva aplicada ao peixe betta Estudo da genética Plataforma de cadastramento e consulta de bettas Exposições de bettas Você sabia que bettas são também expostos em locais para visitação pública e/ou de criadores? No mundo inteiro, associações e outras organizações, senão grupos de aquaristas criadores, organizam suas exposições locais. Com o surgimento da Internet, pode-se hoje fazer exposições virtuais. São bastante interessantes, envolvem premiação, e se está buscando cada vez mais melhores métodos para o julgamento de bettas. Nós, do Betta Project, temos muito apreço pelas exposições de bettas. Temos propostas internamente desenvolvidas para o julgamento de bettas, visto que há lacunas e pontos controversos mundo afora. É, portanto, fonte de aprendizado, desenvolvimento e discussão de novas abordagens. Isto fomenta o hobby, as pessoas e melhora cada vez mais as exposições de bettas – e outros animais! Betta Project – A DNA Experience Nossa intenção é fomentar o hobby, despertando o interesse de criadores pela criação seletiva de bettas. Somente através dela teremos matrizes cada vez mais belas e com fenótipo estável, o que garante a perpetuação de traços genéticos que esta qualidade conferem. Veja a página Quem somos de nosso site. Estamos há alguns anos trabalhando com esta visão de futuro. Panorama do mundo dos bettas – nossa visão A domesticação do betta e seu livre comércio, salvo exceções, mundo afora, juntamente com a divulgação na Internet, torna muito fácil a escolha do betta pela sua beleza estética. O criador não precisa trocar cartas com outro, juntando fotos e registros históricos das ninhadas; um simples e-mail pode resolver tudo, senão ainda a consulta em sites de venda de bettas, tais como sites de particulares e grupos e páginas em redes sociais. Realmente, hoje em dia é muito fácil em relação há 30 anos, antes da Internet. Considere que a Internet ficou popular a partir do fim da década de 1990, mas ainda hoje há locais que não possuem acesso por questões de desenvolvimento econômico ou outras. Atualmente, paralelamente ao Betta Project – A DNA Experience, estamos desenvolvendo uma plataforma por nós concebida para cadastro e pesquisa de bettas. Da mesma maneira que nossos materiais, acreditamos que possa ajudar criadores para a melhoria do plantel de bettas. Conheça nosso Curso sobre a Genética do Betta e reveja os vídeos já indicados neste artigo. Temos muita vontade de ajudar criadores a melhorar o plantel de bettas, e trabalhamos para oferecer ferramentas e informações para a realização disso. Referências · Arquivo interno Betta Project. · Goldstein, Robert J. “The Betta Handbook." (2004). · Imagens da Internet.

  • A problemática na classificação dos bettas e nossa proposição

    O diagrama abaixo elaborado por nós representa, de maneira consistente, nossa proposição de classificação de bettas. Veja: Naturalmente é um diagrama que estará sempre em atualização. As classificações (sólido, bicolor e multicoloridos especiais) são padrões estáveis, replicáveis, o qual denominamos linhagem. Você não sabe o que é uma linhagem? Acesse nosso artigo que trata sobre o que são bettas de linhagem, onde você terá informações completas sobre isto. Bettas sólidos Possuem uma única cor no corpo e nadadeiras. É consenso mundialmente. Note que bettas sólidos com butterfly não devem ser confundidos com bettas bicolores. É importante não misturar as coisas! Bettas bicolores Possuem uma cor no corpo e outra nas nadadeiras. Simples assim! Bettas multicoloridos instáveis Em certas situações são bettas muito atrativos visualmente, com cores harmônicas que realmente chamam a atenção. Porém, ao longo de sua vida, podem perder esta beleza se tornando bettas com ausência de cores completamente, com nadadeiras que chegam a ser totalmente transparentes. Ainda, podem voltar a ter ganho de cores com um arranjo destas cores (e as próprias cores) totalmente diferente, perdendo (ou não) aquele arranjo visualmente lindo. São bettas instáveis. Assim nós do Betta Project o nomeamos e percebemos que há criadores já usando esta designação, acreditamos que possa ser consenso dentro de algum tempo. Logo, bettas multicoloridos instáveis não são linhagens, pois alteram suas cores ao longo da vida e/ou ao longo de gerações. Veja este artigo sobre a genética dos multicoloridos instáveis. Bettas multicoloridos comuns São bettas que possuem três ou mais cores no corpo e nadadeiras. Bettas multicoloridos especiais Apesar dos bettas estarem sendo cruzados indiscriminadamente entre diferentes espécies do mesmo gênero, temos estas nove linhagens atualmente conhecidas e difundidas nesta classificação. Montamos para você um ebook gratuito (você pode fazer download aqui em nosso site) explicando os detalhes técnicos de cada linhagem, com exemplos de suas variações e mesmo assim se enquadrando em cada classificação. Clique aqui e faça download do ebook! Bettas com fenótipo estável têm também grande beleza, e o melhor disto é que são replicáveis! Entra aqui o conceito de linhagem. Desejamos sucesso com seus bettas! Referências: [1] Arquivo interno Betta Project.

  • Peixe betta azul: características e genética

    Você sabia que existem diferentes tonalidades de cores dos bettas? Isto é, bettas azuis são diferentes entre si. Bettas vermelhos da mesma maneira. Ou seja, se você olhar detalhadamente, verá que cada betta é um betta, mesmo sendo de uma mesma ninhada. O que você aprenderá Neste artigo trataremos das características das tonalidades da cor azul nos bettas, especificamente. Ao concluir a leitura, você conhecerá um pouco mais sobre os genes Bl e bl, responsáveis pela cor azul. Ainda, terá consciência das características visuais de bettas desta cor básica. Não discutiremos a origem do betta que temos em nossos aquários neste artigo, comumente disponíveis em petshops e criadores. Entretanto, saiba que o betta azul é um híbrido viável e fértil. Características do bettas azuis Os genes Bl e bl são responsáveis por parte da definição do tipo de cor azul nos bettas. De acordo com os princípios da genética aplicada por meio dos Quadros de Punnett, há três combinações possíveis destes genes, a seguir: Bl Bl Bl bl bl bl Cada uma delas confere uma cor básica sobre o corpo do betta. Note, contudo, que há quatro camadas teóricas que produzem as cores nos bettas, cada uma compondo a outra, conforme o caso. Estamos tratando aqui da Camada das Cores Iridescentes. Esta camada se sobrepõe às demais camadas quando ativa, e estes dois genes, nos três fenótipos acima, compunham inicialmente a modelagem genética desta cor. Cruzamentos entre diferentes espécies de bettas resultaram em maior quantidade de genes definindo as cores, arranjo de cores e formatos dos bettas. Dessa forma, os atuais bettas adquiriram um par de alelos adicional para definir a cor final do brilho que será exibido no fenótipo do betta: os traços metálico, e não metálico. Em função disso, os três tipos de brilho, que outrora os bettas poderiam exibir, passaram a nove diferentes cores iridescentes possíveis. Nós, do Betta Project, representamos a presença do traço metálico pelo gene *, e para os bettas iridescentes sem o traço metálico (que são os antigos bettas iridescentes, ou também chamados, de tradicionais, respectivamente, os azuis Royal, Turquesa, e Aço), utilizamos como simbologia o gene nm (acrônimo originado das iniciais das palavras “não metálico”). Então, há três combinações possíveis destes dois genes: ** * nml nm nm Abaixo mostramos a modelagem genética para todas as possíveis cores iridescentes, envolvendo estes dois pares de alelos, nos bettas: Bettas metálicos Betta Verde Intenso Betta Teal Blue (ou Azul Celeste) Betta Copper Bettas não-metálicos (ou tradicionais) Betta Azul Turquesa Betta Azul Royal Betta Azul Aço (ou Steel Blue) Bettas portadores do gene metálico (ou simplesmente geno) Tratamos aqui a modelagem genética das cores iridescentes (também, chamadas de cores estruturais, envolvendo os genes Bl/bl e */nm. Somado a esses dois pares de genes (Bl/bl e */nm) que sempre trabalham em conjunto, temos ainda a tonalidade dessa iridescência (se mais escuro, se mais claro, se mais aceso, se mais apagado). Ficou interessado em saber mais sobre a Genética do Betta? Conheça nosso Curso sobre a Genética do Betta Gostou do conteúdo? Curta e compartilhe nossa página. Indique este artigo a amigos. Isto nos ajuda a continuar este trabalho. Desejamos sucesso com seus bettas! Referências: [1] Arquivo interno.

  • Linhagens de bettas: classificação e detalhes técnicos

    Esta série de vídeos objetiva apontar questões importantes em cada linhagem nos bettas. Com know-how de mais de 50 anos lidando com bettas, trazemos conceitos mundialmente aceitos e que garantem ótima colocação em exposições especializadas para criadores de bettas. São sete vídeos que apresentam cada linhagem. Veja-os abaixo. Apresentação inicial. Classificação dos bettas uma introdução em todas as classificações, mostrando suas principais características. Bettas sólidos e bicolores: características e detalhes técnicos Bettas pineapple e chocolate: características e detalhes técnicos Bettas dragon (teal blue dragon, yellow dragon, red dragon, mustard gas dragon, black devil dragon e tantos outros): características e detalhes técnicos Bettas salamander (yellow salamander, purple salamander, green salamander, blue salamander, pink salamander): características e detalhes técnicos Bettas mustard gas: características e detalhes técnicos Bettas black orchid, black copper e red gold: características e detalhes técnicos Que tal ter estas informações por escrito? Montamos um ebook reunindo todas as informações aqui expostas. Garanta seu ebook! Ele é gratuito e ajuda muito na assimilação do conteúdo. Clique, preencha o formulário e acesse já! Desejamos sucesso com seus bettas! Referências: [1] Arquivo interno Betta Project. [2] Imagens da Internet.

  • Genética dos bettas: introdução a cores, distribuições de cores e formatos

    Você deve estar interessado em saber quais são as cores existentes nos bettas hoje. Olhando a imagem acima, percebemos que cada foto tem um betta diferente. O que você aprenderá neste artigo: As cores nos bettas Conceitos básicos sobre o processo de formação de cores nos bettas Genes atuam resultando na ativação ou desativação de traços genéticos dos cromatóforos O modelo teórico de camadas de cores nos bettas Alguns números quanto a fenótipos e genótipos nos bettas e nosso Curso sobre a Genética do Betta A seleção de matrizes como trunfo para a obtenção de bettas de linhagem Linhagens de bettas Quer aprender mais sobre a genética do betta? As cores nos bettas Quantas cores existem? Podemos dizer que são infinitas! Isto porque cada betta tem sua característica própria, embora peixes de mesma ninhada têm a possibilidade de replicar a beleza estética de seus pais – os bettas de linhagem! Na década de 1960, o americano Dr. Gene Lucas, PhD em filosofia, dedicou sua tese ao estudo da genética do betta. Foi o pioneiro neste tema. Veja sua tese no link abaixo. No entanto, ao longo destes mais de 60 anos, muita coisa do que se pensava conhecer da genética do betta tomou novos rumos. Novas linhagens foram desenvolvidas, novos formatos (ou shapes) nos bettas surgiram, e assim por diante. Talvez você esteja pensando: “ah, as cores devem seguir o padrão da roda de cores..”. Veja o framework abaixo. Roda das cores: um framework não aplicável aos bettas, salvo poucas exceções Ou seja, cruzando-se um betta roxo com um betta verde teremos na ninhada bettas azuis, ou então, cruzando-se um betta roxo com um vermelho teremos bettas vermelho-arroxeados? Não. Saiba que as cores não seguem a roda de cores tradicionalmente conhecida para outras finalidades, salvo poucas exceções. Os traços genéticos em conjunto interagem no fenótipo (aparência visual) de maneira mais complexa. Há genes responsáveis pelas cores, distribuição de cores e outros que são responsáveis pelos formatos do betta (o shape do peixe). Conceitos básicos sobre o processo de formação de cores nos bettas Bettas possuem elementos bioquímicos que definem suas cores, chamados cromatóforos. Cromatóforos são moléculas divididas em duas categorias: iridóforos e pigmentos. Vamos a uma analogia lúdica. Imagine potes de tinta como mostrado na imagem abaixo. No primeiro pote, temos os brilhos dos bettas: os iridóforos (azul, verde e acobreado). Ainda, teremos um pote com tinta preta (melanóforos) e outros com as cores vermelho ou outras, também pigmentos, como mostrado na imagem. Genes atuam resultando na ativação ou desativação de traços genéticos dos cromatóforos Obviamente não temos tinta nas escamas dos bettas, e sim genes que atuam em conjunto resultando nas características do betta (sua beleza estética, caracterizada cor cores, distribuição de cores e formatos – o fenótipo). Veja as fotos no quadro abaixo: Perceba que cada betta tem uma, duas ou mais cores. Entre diferentes exemplares de bettas, mesmo tendo a mesma cor, alguns podem ser mais claros e outros mais escuros, em diferentes tonalidades. Tonalidade da cor: entenda o que é A tonalidade consiste se a cor é mais clara ou escura. Lembra da cor preta? É ela que dá este efeito, com maior ou menor quantidade de melanóforos. Ou seja, quanto mais melanóforos, mais escura é a cor do betta, podendo chegar à completa cobertura pela cor preta em todo o betta (corpo + nadadeiras). O modelo teórico de camadas de cores nos bettas O modelo teórico de cor nos bettas obedece ao mesmo esquema de nosso exemplo. Ele é necessário para que entendamos a genética que existe por trás destas cores e distribuição de cores. Este modelo teórico visa melhorar nossa percepção, auxiliando a quem quiser entender a genética do betta para a identificação dos possíveis genes envolvidos. Há, portanto, 4 camadas de cores nos bettas: Camada 1: cores iridescentes – cores azuis, verde e acobreado. Camada 2: cor preta – os melânicos. Se é escuro ou claro. Camadas 3 e 4: cores vermelhas e cores não-vermelhas – rosado, amarelo e outros; Lembre-se que este modelo é teórico, que apenas auxilia na identificação dos possíveis genes que estão atuando. Conheça algumas das cores de cada camada, suas características e genótipo: E tantas outras. Com relação às cores e a distribuição de cores, temos mais de 50 traços genéticos nos bettas. Estes traços, ativados ou não, dão origem ao fenótipo. Note, portanto, que destes +50 traços combinados se origina o fenótipo do betta. Você poderá ter, por exemplo, um betta sólido azul royal (Bl bl nm nm). Da mesma maneira, poderá ter um betta multicolorido azul com infiltração nas nadadeiras caudal e anal na cor vermelha. Esta infiltração diz respeito a outro traço genético, chamado de variegated fins (ou nadadeiras matizadas). Recomendamos que você leia nosso artigo Linhagem e pedigree: conceitos básicos antes de continuar se estes conceitos são novos para você. E assim cada betta tem seu DNA. O betta azul royal tem aspecto como este: a cor azul predominante em todas as nadadeiras – pélvicas, inclusive – e preferencialmente nas peitorais também. Neste, em específico, há a presença do traço blond, que reduz a quantidade de melanóforos (base preta – camada 2) em parte ou todo o corpo e/ou nadadeiras do betta, acendendo o betta como resultado da tonalidade mais clara da cor sobre ele. Ainda, em nosso artigo Peixe betta azul: características e genética você tem mais informações sobre os azuis. Recomendamos que faça sua leitura. Alguns números quanto a fenótipos e genótipos nos bettas e nosso Curso sobre a Genética do Betta Atualmente, dezenas de traços genéticos compõem o estudo da genética do betta quanto a cores, distribuição de cores e formatos. Temos identificados mais de 100 genótipos, dando origem a mais de 70 traços genéticos no betta. Neste sentido, imagine o ferramental que você tem para determinar quais deles ocorrerão nas suas ninhadas! Ou seja, com conhecimento de sua implicação no fenótipo, é um significativo conjunto de ferramentas que nos permite prever qual característica estética bettas terão na ninhada. Além disso, com este conhecimento você poderá projetar bettas, o que é um novo horizonte no mundo dos bettas! Mas, o que é projetar bettas? Projetar bettas consiste em determinar um objetivo, identificar seus traços e genótipos para obtê-lo, iniciar a busca de matrizes, confirmando suas características genéticas para, então, direcionar a criação seletiva ao objetivo almejado. A seleção de matrizes como trunfo para a obtenção de bettas de linhagem Todo este conjunto de informações é importante para a correta seleção de matrizes, ou seja, os bettas que você selecionará para reproduzir e gerar descendentes. Importante Considere que o trabalho, empenho, custos e tempo dedicados são os mesmos se você projetar ou não projetar seus bettas! Por isso que nós, do Betta Project, sempre dizemos que o conhecimento da genética do betta é imprescindível para que você possa melhorar seu plantel. Ainda, lançar-se à sorte na criação de bettas traz, na maioria das vezes, resultados frustrantes. Como você possivelmente é um criador de bettas, não seria muito mais interessante projetar bettas? Lembre-se que isto é resultado, na prática, do processo de seleção das matrizes – e nada mais! Uma vez que você dominou o manejo, reproduzir bettas cujos descendentes não condizem com suas expectativas é frustrante. Sabemos disso! E é por isso que criamos este site, curso, artigos e vídeos. Linhagens de bettas O peixe betta possui linhagens já conhecidas e fixadas. Neste sentido, há dois artigos que você deve conhecer sobre este assunto: Linhagens de bettas: classificação e detalhes técnicos: apresenta as linhagens atualmente existentes por meio de videos. Indica também ebook sobre linhagens que montamos para quem quer o conteúdo por escrito, alinhado com os vídeos. Facilita o estudo e anotações. Por que os traços marmore (marble) e perda de vermelho (red loss) inviabilizam linhagens em bettas: explica as complicações que estes traços genéticos trazem ao criador quando da fixação de características de beleza estética (cores e distribuição de cores). Peixes com estes traços genéticos vem sendo reproduzidos continuamente. Entenda a problemática. Linhagem e pedigree: conceitos básicos: pedigree e linhagem são coisas diferentes. Entenda. Vale a pena conferir se você quer aprofundar seus estudos! A correta seleção de matrizes é imprescindível para você trilhar no caminho certo rumo ao seu objetivo. Quer aprender mais sobre a genética do betta? Conheça nosso Curso sobre a Genética do Betta, um material que consolida tudo o que se pensa saber sobre sua aplicação prática para seleção de matrizes, trazendo novas e consagradas modelagens genéticas para a criação seletiva de bettas. Gostou do artigo? Indique para seus amigos! Desejamos sucesso com seus bettas. Referências: [1] Arquivo interno Betta Project [2] Imagens da Internet

  • Bettas de linhagem e pedigree: conceitos básicos

    Entendemos que o conceito de linhagem em bettas corresponde a: “Betta de linhagem é aquele exemplar que transmite um conjunto de características visuais (cores, arranjo de cores e formatos) que se perpetua nas gerações subsequentes”. E pedigree, o que vem a ser? Pedigree é um documento que certifica (é um certificado) a origem do animal. Este certificado apresenta a árvore genealógica que representa a linhagem do animal. Para que um animal seja de linhagem, ele não deve apresentar mudança em cores e formatos, bem como em outras características. Em bettas, tratamos de cores e arranjo de cores. Será importante para entender o que trazemos neste artigo. Diferentes conceitos serão necessários para se entender como se dá a afirmação acima. OBS: se você é Engenheiro de Aquicultura, Biólogo ou Zootecnista, ressaltamos que os conceitos aqui foram traduzidos a uma linguagem simples visando explicar, de maneira simples e didática, as informações aqui contidas a novatos. Os conceitos serão aplicados diretamente aos bettas, resumidos e simplificados para o objetivo deste artigo, apresentados numa linguagem acessível e de fácil compreensão. Leia com atenção: Gene: é a menor unidade de transmissão das características hereditárias dos pais aos descendentes. Genótipo: conjunto de dois ou mais genes que resulta numa determinada característica (traço ou fenótipo); Traço ou fenótipo: é uma característica de um ser vivo, resultante do genótipo associado a esta característica. Nos bettas, podemos ter traços para suas cores, arranjo de cores e formatos. Note que há traços que não são visíveis aos nossos olhos, tais como o funcionamento do organismo, e assim por diante. DNA: é onde está armazenada a informação genética. Assemelha-se a uma dupla hélice; Cromossomos: é uma estrutura organizada que contém o DNA; Locus: é uma posição fixa e específica em um cromossomo. Associe-a como uma fita métrica: 1, 2, 3, 4, ... n. Genes alelos: são genes que estão na mesma posição do DNA do pai e da mãe (locus), que se ligarão no ato da fecundação (espermatozóide + ovócito); Homozigose: ocorre quando o genótipo possui genes iguais. Ex: “A A” ou “a a”; Heterozigose: ocorre quando o genótipo possui genes diferentes. Ex: “A a” ou “B b”; Voltando aos bettas de linhagem, temos definido, então, que uma linhagem é composta de um conjunto de características visuais se perpetua nas gerações subsequentes. Note que esta definição é utilizada para cães, gatos, e demais animais que competem entre si em exposições e torneios quanto a sua beleza estética ou outra finalidade. Particularidades nos bettas quanto ao conceito de linhagem Há algumas particularidades existentes no mundo dos bettas. É importante você conhece-las para melhor fixar o que são bettas de linhagem. Vamos lá! Há fenótipos que podem ou não se perpetuarem ao longo das gerações subsequentes. Ou seja, conforme a seleção da matriz por parte do criador, aquela linhagem deixa de existir em função de algumas particularidades. E não estamos falando aqui dos traços mármore e red loss, que alteram o fenótipo do betta. Destacamos aqui a problemática do betta melano, as diferentes populações e os bettas multicoloridos instáveis (possuidores dos genes mármore e/ou red loss). Vamos aos detalhes... Exemplo A: questões sobre o betta melano O traço melano é uma exacerbação dos pigmentos pretos de qualquer ser vivo, em nosso caso, especificamente nos bettas. Na prática, funciona no fenótipo como se fosse um pó de carvão que é jogado numa superfície com qualquer cor, cobrindo-a por inteiro - um exemplo lúdico. Neste caso, podemos ter bettas com uma cor azul ou uma cor vermelha e, por cima dessa, aquele “pó preto”. Quando você vê aquele “betta preto” e não se sabe ao certo a origem dele, cria-se o problema: em bettas melanos temos bettas multicoloridos sem qualquer possibilidade de se trabalhar geneticamente afim de se fixar uma cor. É importante que, quando se objetiva manter essa exacerbação do preto – que são os bettas melânicos – se faça o seguinte: - Utilizar uma linhagem de melanos de origem exclusivamente de azuis; OU - Utilizar uma linhagem de melanos de origem exclusivamente de vermelho: aqueles que vão ficando escuros (Dark Red, levemente avermelhados, tendendo ao marrom), que escurecem ao longo das gerações até chegarem à cor preta ao longo dos cruzamentos. Ou seja, para bettas melanos, não misture suas origens. Vamos a um exemplo: cruzamento de bettas melânicos onde o macho tem origem de vermelhos e a fêmea de origem azuis. O macho possui um vermelho muito escuro, quase marrom, muito difícil de se identificar; Na fêmea preta, de origem azul, apresentam-se algumas escamas com tonalidade levemente azul ou turquesa, predominantemente preta. Neste caso, você estará cruzando matrizes que, ao longo das gerações futuras, dará origem a bettas multicoloridos. Exemplo B: diferentes populações de bettas salamander O problema de populações diferentes (um betta da China e outro da Inglaterra), ambos Pink Salamander, resulta em exemplares que podem não ser bettas de linhagem, pois quando cruzados, resultam em significativa quantidade de peixes na ninhada com fenótipo diferente das matrizes (sem batom – aquela marca branca na boca – e outras características). Exemplo C: bettas multicoloridos instáveis Adicionalmente, bettas multicoloridos instáveis, portadores dos genes red loss e/ou mármore, que modificam o fenótipo de forma aleatória ao longo do tempo de vida do betta, por resultam em peixes multicoloridos instáveis, entendemos que não são bettas de linhagem. Temos dois artigos relacionados a este tema. Em caso de interesse, consulte o artigo Por que os traços mármore e perda de vermelho (red loss) inviabilizam linhagens em bettas. Três possíveis linhagens em um único cruzamento? Os bettas azul royal têm genótipo Bl bl (um gene dominante e um gene recessivo). O cruzamento entre dois bettas azul royal dará origem a: resultando em 25% Bl Bl (azul turquesa), 50% Blbl (azul royal) e 25% blbl (azul aço). A partir da interpretação do Quadro de Punnett mostrado acima, veja o seguinte: a) Cruzamento entre dois bettas azul aço Resultado: gera somente bettas azul aço (linhagem homozigota – veja os conceitos no início do artigo). Observe a tonalidade do exemplar acima indicado (ele é melânico). b) Cruzamento entre dois bettas azul turquesa Resultado: gera somente bettas azul turquesa (linhagem homozigota – veja os conceitos no início do artigo). É um betta blod (com menor quantidade de melanóforos). c) Cruzamento entre dois bettas azul royal Resultado: gera sempre bettas azul aço, azul turquesa e azul royal (linhagem heterozigota – veja os conceitos no início do artigo). Veja ainda que todos os três bettas acima, nas fotos, têm o genótipo nm nm. Este genótipo se refere ao traço não metálico, que corresponde aos bettas antigos, sem a introdução do traço metálico em seu DNA. Concluímos então que, a partir do cruzamento de uma linhagem de bettas azul royal, teremos 3 diferentes linhagens em potencial: azul royal, azul turquesa e azul aço. Voltando aos bettas azul royal, que é o nosso exemplo em foco, teremos sim uma linhagem de azuis royal estabilizada. Neste caso, teremos bettas de linhagem. Padrões pré-definidos nos Julgamentos de bettas Agora que temos o conceito de betta de linhagem definido e esclarecido, é importante frisar que cada linhagem tem seu padrão estético já definido - há décadas! Voltando novamente ao conceito central do artigo: “Betta de linhagem é aquele exemplar que transmite um conjunto de características visuais (cores, arranjo de cores e formatos) que se perpetua nas gerações subsequentes”. Note que você poderá também criar novas linhagens, obedecendo aos conceitos expostos aqui. Caso tenha interesse em julgamento de bettas, acesse nosso video sobre Julgamento de Bettas. Você conseguiu agora entender a essencial diferença entre bettas de linhagem e aqueles que não possuem linhagem? Temos um ebook gratuito com a classificação de bettas e suas as linhagens. Você pode fazer o download clicando na imagem abaixo. Escreva-nos! Seu feedback é importante para que estejamos sempre melhorando! Boa sorte com seus bettas! Referências: [1] Arquivo interno Betta Project

Deixe em branco para visualizar todos os artigos

bottom of page